Frutíferas Nativas

04052018
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Você conhece e planta árvores frutíferas nativas?

Ao falar de árvores frutíferas, é importante lembrar porque plantas produzem frutos e explicar que muitos não são comestíveis para nós, humanos. Antes mesmo de nos servirem como alimento, e serem modificadas conforme nosso gosto e paladar, as frutas e os frutos possuem outra função primordial: a de disseminação das sementes de cada espécie.

Podemos fazer o exercício de sair da caixinha da percepção utilitarista da natureza – na qual os frutos existem para satisfazer nosso gosto e desejo – para o ponto de vista de que as plantas evoluíram transmitindo as características genéticas dos frutos. Ao longo do tempo, tornaram-se mais eficientes e obtiveram maior sucesso na disseminação das suas sementes.

A dispersão pode acontecer por outras quatro diferentes formas:
– Anemocoria: com frutos que possuem mecanismo de lançar suas sementes de maneira explosiva ou por gravidade
Autocoria: com a água como meio dispersor para frutos com boa flutuação e durabilidade em meio aquático
– Hidrocoria: quando as sementes ou frutos pequenos e leves, com um envoltório plumoso, são levados pela água da chuva e
 Zoocoria: a dispersão com auxílio de diferentes tipos de animais: peixes (ictiocoria); morcegos (chiropterocoria); aves (ornitocoria); primatas (primatocoria); formigas (mirmecoria) e ungulados (artiodactilocoria).

Se você tem a intenção de ser um dedo verde ou um ótimo germinador de sementes, conhecer as diferentes formas de dispersão é importante para maior sucesso na germinação. Além desta época do ano ser excelente para coletar sementes de diferentes frutíferas amadurecendo em todo o país.

Participantes de palestras e atividades Passeio Verde do Instituto Árvores Vivas, muitas vezes não sabem que a maioria das frutas saboreadas no dia-a-dia são originárias de outros países e regiões. Exemplos: abacate e mamão são da América Central; a manga, da Índia; banana, da Malásia; a amora, a laranja e o limão veem da China; a nêspera e a jaqueira, da Ásia.

Ainda são poucas as frutas originárias do território brasileiro e comercialmente disponíveis mas, não muito tempo atrás, era comum encontrar em pomares das casas frutíferas que, aos poucos, estão sendo resgatadas pela gastronomia com identidade regional. Entre elas, cito algumas de diferentes biomas:

Mata Atlântica > cerejeira-do-rio-grande, uvaia, cambuci, grumixama, palmeira-jerivá, palmeira-jussara, ingás, cabeludinha, aroeira-pimenteira, jaboticaba, feijoa, araçás;

Cerrado > mangaba, pequi, buriti, jatobá, gabiroba, araticum, caju, bacupari, baru, maracujá, jenipapo;

Amazônia > tucumã, cupuaçu, palmeira-açaí, camu-camu, palmeira-pupunha, ajuru;

A feijoa (Acca sellowiana) é um exemplo interessante. Na Nova Zelândia sua presença comercial é massiva com a fruta natural, geléias e sucos, tão presente e comum inclusive na arborização urbana, faz com que as pessoas nem saibam que é nativa do Brasil. Enquanto aqui pouquíssimas pessoas conhecem ou já experimentaram.

Com a divulgação cada vez maior das plantas alimentícias não convencionais – PANCs, se fortalece o resgate da sabedoria sobre o consumo de plantas regionais e disponíveis em cada estação. Existem inclusive campanhas cada vez mais constantes em todo o mundo para se privilegiar refeições elaboradas respeitando a sazonalidade dos alimentos, o que promove a redução dos impactos nas mudanças climáticas.

A maioria destas árvores frutíferas nativas que foram esquecidas, ou ainda, que podem ser valorizadas são também fonte de recurso para a fauna silvestre. Muitas espécies correm risco de extinção ou encontram-se em estado de vulnerabilidade devido ao desmatamento, principalmente.

Optar por espécies nativas na composição do plano de plantio de um pomar e arborização urbana é uma escolha benéfica para a cultura ambiental da sociedade e para muitos animais que convivem conosco, criando pequenos oásis alimentares para a fauna e, claro, refúgios de apreciação da natureza para todos nós.

Fonte: ArvoresVivas

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